Mudança no padrão de beleza da mulher brasileira - Dra. Maria Claudia Giometti

Mudança no padrão de beleza da mulher brasileira

O padrão de beleza da mulher brasileira vem sofrendo mudanças bem marcantes ao longo dos anos. A busca por uma perfeição sofre influência direta da mídia, de artistas, de influenciadores, de grupos sociais como amigos e colegas de trabalho e até mesmo dos familiares.

O que há 10 anos era bonito e estava na moda, hoje pode ser considerado diferente demais, exagerado ou fora do padrão de beleza.

Dos anos 1980 para os dias atuais, o padrão de beleza da mulher brasileira foi alterado diversas vezes e sempre teve algumas pessoas marcantes que serviam de modelo a ser seguido. Entre os padrões de beleza mais conhecidos no país, estão os seguintes:

• Em 1980, Sônia Braga era admirada com sua cintura fina, volume no bumbum e seios pequenos;

• Nos anos 1990, houve uma “americanização” no padrão de beleza da mulher brasileira, principalmente por uma admiração mundial pela atriz Pâmela Anderson, de seios muito fartos;

• Nos anos 2000, o padrão de beleza foi dominado pelas mulheres de corpo violão, com bumbum e seios volumosos, com influência de panicats, artistas como a “Feiticeira” e Viviane Araújo;

• Atualmente, o modelo de mulher brasileira mais buscado se inspira em atrizes como Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa.

Mesmo assim, nos dias atuais podemos notar uma maior diversidade no padrão de beleza da mulher brasileira. Veja que, na mídia, há muito espaço para mulheres com corpo bem definido como Gracyanne Barbosa ou para silhuetas mais discretas, como é o caso da Sandy Lima.

O que nós, especialistas em estética, notamos é que houve uma evolução ao longo dos anos que permitiu maior pluralidade.

Atualmente, o padrão de beleza da mulher brasileira pode ser diversificado, pois há mais espaço, aceitação e reconhecimento de que ser diferente é normal, importante e especial.

Neste sentido, vemos no dia a dia do consultório mulheres que estão cada vez mais interessadas em modificar imperfeições ou detalhes que as incomodam do que seguir um modelo ou buscar um padrão de beleza.

O padrão de beleza da mulher brasileira ainda existe na prática?

“Na prática, principalmente no consultório, podemos mudar o termo ‘padrão de beleza’ por uma busca personalizada por mais harmonia e equilíbrio, seja em elementos da face ou corporais. Então, recebemos muitas mulheres que querem fazer rinoplastia, mamoplastia redutora, inclusão de prótese de silicone nos seios, entre muitos outros procedimentos”, revela a cirurgiã plástica em Moema, Dra. Maria Claudia Giometti.

O aumento pela procura de explante de silicone, um procedimento realizado para remoção da prótese de silicone, principalmente por causa de queixas relacionadas à doença do silicone, mostra que há maior preocupação com a saúde do que com um certo tipo de padrão de beleza da mulher brasileira.

É importante ressaltar que, mesmo não havendo comprovação científica da doença do silicone, as reclamações das pacientes são sempre levadas em consideração e servem de base para uma decisão de explante de silicone.

Além disso, o explante de silicone também costuma ser feito por mulheres que querem substituir a prótese por outra ainda maior ou quando o implante foi realizado há muitos anos e, atualmente, com o avanço da tecnologia na área, existem tipos de próteses com melhores revestimentos e maior durabilidade.

Expectativa x realidade: isso muda a relação com o padrão de beleza da mulher brasileira?

Uma das principais preocupações da Dra. Maria Claudia Giometti, médica especialista em cirurgia plástica em SP, é explicar com todos os detalhes para as pacientes sobre a expectativa criada com o resultado, antes de um procedimento ser feito.

“Embora muitas pacientes não estejam em busca de um determinado padrão de beleza da mulher brasileira, elas podem imaginar ou criar uma expectativa irreal com o resultado da cirurgia. Minha função, como médica, é tirar todas as dúvidas e esclarecer com o máximo de detalhes, inclusive com fotografias e vídeos, como costuma ser o antes e o depois de todos os procedimentos estéticos, para que a paciente não fique desapontada”, ressalta a médica.

Não estou satisfeita com o resultado da minha cirurgia plástica: e agora?

Em geral, as pacientes ficam muito satisfeitas com o resultado da cirurgia plástica quando são valorizadas as suas características pessoais e não estão em busca de um padrão de beleza que não condiz com sua anatomia corporal.

Ou seja, elas não estão tentando imitar alguém ou ficar parecidas com alguma personalidade – estão sendo realçadas características individuais, em uma versão que as agrade mais, aumente a autoestima, a satisfação com o corpo e com a imagem, a autoadmiração e a relação consigo mesma.

Mesmo assim, existem também casos nos quais o resultado da cirurgia plástica fica perfeito, mas a paciente se sente insatisfeita.

Quando isso acontece, os especialistas em saúde podem classificar essas pessoas com dismorfia corporal, pois elas não ficam felizes nos dois casos: nem no antes, nem depois da cirurgia plástica.

Para amenizar ou resolver a dismorfia corporal, as pacientes podem ser encaminhadas para fazer o tratamento psicológico. Pessoas com essas condições sofrem por causa de um detalhe do corpo, como uma imperfeição, e não conseguem enxergar a beleza do todo.

É importante não confundir a dismorfia corporal com a busca incessante por um padrão de beleza inatingível. Na verdade, a dismorfia corporal causa muito sofrimento às pacientes, que não adotam essa busca pela perfeição por vaidade ou futilidade.

Como será o padrão de beleza da mulher brasileira nos próximos anos?

Com todas essas mudanças em andamento, desde mulheres que se aceitam com o próprio corpo e vivem felizes com suas características pessoais até aquelas que resolvem fazer o explante de silicone porque querem ter os seios menores ou estão preocupadas com a “doença do silicone”, podemos afirmar que há um novo comportamento sobre a beleza. Seria o padrão da autoaceitação.

Ainda é cedo para afirmar, mas já podemos ver muitos casos nos quais mulheres e, até mesmo, os homens estão com um nível maior de autoaceitação corporal ou estão interessados apenas em buscar uma versão melhor de si mesmos, através de procedimentos estéticos e cirurgias plásticas que realmente fazem sentido para eles, distantes de qualquer padrão de beleza.

“No consultório, o atendimento é sempre personalizado e não recomendamos a busca por um padrão de beleza ideal, pois ele não existe. Nosso objetivo é fazer o procedimento estético ou a cirurgia plástica para deixar os pacientes mais felizes e satisfeitos com o próprio corpo e imagem, partindo da premissa de que a alteração corporal é realmente importante para a qualidade de vida deles”, explica a médica.

Enfim, os médicos especialistas em cirurgia plástica que trabalham com seriedade não recomendam que as pacientes entrem em um determinado padrão de beleza, mas que façam os procedimentos para superar e corrigir algum trauma ou incômodo que trazem consigo há muitos anos.